segunda-feira, 18 de julho de 2011

GOSCINNY

Para o fisco francês, Albert Uderzo não é um dos co-autores da banda desenhada Asterix, mas apenas «um ilustrador». E exige que este devolva 203.000 euros ao tesouro gaulês.

'O fisco caiu na cabeça de Uderzo' é o título da notícia do Le Figaro online que dá conta que o homem que com René Goscinny criou a aldeia de irredutíveis gauleses recebeu, no dia 27 de Dezembro, uma nota a exigir a devolução de 203.000 euros. O fisco tinha deixado de o considerar autor dos livros de aventuras, mas apenas um «simples ilustrador», o que alterou a sua situação contributiva.

Uderzo, com 84 anos, sabe que não é o primeiro a sofrer tal 'ataque', baseado em questões técnicas. Mas está indignado: «Ao fim de 51 anos de bons e leais serviços retiram-me o direito de ser autor?», questiona. Acrescenta ainda não ser tanto o aspecto financeiro que o incomoda, diz o Figaro, mas «a brutalidade e falta de respeito com o qual, 51 anos depois da criação de Asterix, o fisco acorda e retira-me o direito de ser o co-autor do meu querido pequeno gaulês. Este é um ultraje que não aceito com a minha idade! Contratei um especialista fiscal e vou bater-me novamente» - Uderzo já tinha sido alvo de três inspecções fiscais, em que saiu vencedor.

O jornal falou com um especialista em direitos de autor que considera a questão «absurda». Diz que «há uma dicotomia entre o direito de autor e o direito fiscal baseada em textos que talvez datem do séc. XIX» e que «considerar que Albert Uderzo não é autor de Asterix não faz qualquer sentido; até parece que um inspector fiscal em Bercy (bairro de Paris onde está sediado o ministério da Finanças) não gosta de BD».

É caso para escrever: já não são os romanos... 'Estes gauleses estão loucos!'


GOSCINNY

Sou uma pessoa que diverte. Em minha opinião, há três espécies de pessoas deste género. Primeira categoria: aquele que se diverte a si próprio. Pode tratar-se de um imbecil ou de um precursor. Segunda categoria: o brincalhão que faz rebentar de riso os seus colegas de escritório, a sua mulher, os que convivem com ele mais de perto. Fora do seu meio, as suas bricadeiras, as suas lindas palavras caem no vazio. Trata-se de um amador. Terceira categoria: o profissional. Ele não conhece o seu público nem quer conhecê-lo. Trabalha esforçadamente com um único fim: divertir as pessoas o mais possível, sem discriminação de idade, de sexo, de nacionalidade. Tanto pior se vos pareço ter um orgulho insensato: eu sou um profissional. E tanto pior se vos decepciono, mas, quando escrevo uma história, não penso nas crianças. Nem, de resto, nos seus pais. O meu público é toda a gente.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2005/08/rena_goscinny.html#ixzz1SSmxHCBg

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