'O fisco caiu na cabeça de Uderzo' é o título da notícia do Le Figaro online que dá conta que o homem que com René Goscinny criou a aldeia de irredutíveis gauleses recebeu, no dia 27 de Dezembro, uma nota a exigir a devolução de 203.000 euros. O fisco tinha deixado de o considerar autor dos livros de aventuras, mas apenas um «simples ilustrador», o que alterou a sua situação contributiva.
Uderzo, com 84 anos, sabe que não é o primeiro a sofrer tal 'ataque', baseado em questões técnicas. Mas está indignado: «Ao fim de 51 anos de bons e leais serviços retiram-me o direito de ser autor?», questiona. Acrescenta ainda não ser tanto o aspecto financeiro que o incomoda, diz o Figaro, mas «a brutalidade e falta de respeito com o qual, 51 anos depois da criação de Asterix, o fisco acorda e retira-me o direito de ser o co-autor do meu querido pequeno gaulês. Este é um ultraje que não aceito com a minha idade! Contratei um especialista fiscal e vou bater-me novamente» - Uderzo já tinha sido alvo de três inspecções fiscais, em que saiu vencedor.
O jornal falou com um especialista em direitos de autor que considera a questão «absurda». Diz que «há uma dicotomia entre o direito de autor e o direito fiscal baseada em textos que talvez datem do séc. XIX» e que «considerar que Albert Uderzo não é autor de Asterix não faz qualquer sentido; até parece que um inspector fiscal em Bercy (bairro de Paris onde está sediado o ministério da Finanças) não gosta de BD».
É caso para escrever: já não são os romanos... 'Estes gauleses estão loucos!'
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