domingo, 22 de maio de 2011

Filha de urdezo processa o pai

Asterix em pé de guerra: Filha do desenhista Uderzo processa o pai, que a excluiu dos negócios

Plantão | Publicada em 04/05/2011 às 00h20m

Álvaro Pons, do El País
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Asterix / Divulgação

RIO - Depois de anos de guerra feroz, tudo indicava que a paz tinha chegado à família Uderzo. A batalha legal detonada por Sylvie Uderzo contra seu pai, o desenhista Albert Uderzo, cocriador de Asterix com o roteirista René Goscinny, parecia ter terminado com a decisão da venda de 40% das ações da editora Albert-René, atual proprietária dos direitos sobre o famoso gaulês irredutível, ao grupo Hachette, que voltaria a ser o editor das famosas e lucrativas aventuras do personagem.

O conflito começou em 2007, quando Uderzo retirou a filha da direção da Albert-René, editora criada por ele em 1979 para gerir as edições e o marketing de Asterix, uma empreitada que uma década depois tornou-se propriedade integral dele e da filha de Goscinny (o roteirista morreu em 1977), depois de uma longa luta jurídica com outra editora, a Dargaud.

Esse esforço mostrou que o desenhista era tão bom com o lápis quanto sagaz nos negócios: Asterix se tornou uma máquina de fazer dinheiro, não apenas pelos mais de 300 milhões de livros vendidos da série (cada lançamento é um acontecimento editorial na França), mas também pelos enormes lucros do uso comercial do personagem, que envolve desde todo tipo de licenciamento até um lucrativo parque temático, além, é claro, das adaptações para o cinema, que em outubro chegam ao quarto episódio, "Asterix: God save Britania", dirigido por Laurent Tirard. É um negócio espetacular, cujo faturamento se avalia em mais de 10 milhões por ano, e que parece justificar a briga entre pai e filha, mergulhados em uma troca contínua de acusações mútuas de manipulação: enquanto Sylvie culpava o entorno do pai de separá-lo dela e lhe dar maus conselhos, ele concentrava sua carga nas ambições do marido da filha, Bernard de Choisy.

E as reviravoltas não param: por um lado, o acordo entre Uderzo e o grupo Hachette, que devolvia a gestão do personagem à editora que o viu nascer; por outro, o inesperado anúncio do desenhista de que ele permitiria que outros autores continuassem a escrever as aventuras do personagem após sua morte, uma postura contrária àquela que ele sempre tinha sustentado.

Embora a primeira batalha tenha sido vencida por Sylvie Uderzo, que achava sua demissão improcedente e conseguiu uma indenização de 270 mil, as mudanças na administração dos direitos das obras pareciam inevitáveis, já que a venda da parte de Uderzo à gigante Hachette parecia encerrar de vez a disputa familiar.

'Uma decisão dolorosa'

Mas Albert Uderzo não descansa. Aos 84 anos, ele não consegue se aposentar, como gostaria. Há apenas dois meses, o fisco francês lhe cobrava mais de 200 mil, o que não lhe doeu tanto no bolso quanto na alma: ele não foi reconhecido como cocriador de Asterix, mas apenas como "ilustrador" da série, que seria de autoria apenas de René Goscinny. Uma decepção para o autor, que vem se somar à reabertura da disputa judicial com a filha, que acaba de apresentar uma queixa "contra quem corresponder" (uma forma legal francesa de não precisar a pessoa a quem se dirige a acusação) pelos supostos abuso e manipulação de seu pai, que estaria incapacitado.

Em declarações ao jornal "Le Parisien", Sylvie afirma que o pai estaá sendo isolado por diferentes pessoas a seu redor, desde seu antigo encanador, promovido a homem de confiança, a alguns diretores da editora Albert-René, que o haviam levado a tomar todas as decisões empresariais contra ela e a uma fúria consumista que incluiria da compra de mansões faraônicas a um avião Mirage III. "É uma decisão dolorosa", disse Sylvie. "Mas quero que a Justiça reconheça que meus pais foram vítimas de aproveitadores, que saquearam e destroçaram uma família."

Acusações duras que se somam a uma turva saga familiar que sempre parece escondida sob um negócio de milhões e milhões de euros.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/05/03/asterix-em-pe-de-guerra-filha-do-desenhista-uderzo-processa-pai-que-excluiu-dos-negocios-924377435.asp#ixzz1N8ggziJl
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