domingo, 22 de maio de 2011

merchandising dos personagem asterix

Astérix e Obélix não páram - Aventuras
dos heróis gauleses vão continuar no ano
que completam o 50º aniversário
Albert Uderzo decidiu ceder ao grupo Hachette, número um da edição em França, a
autorização para continuar as aventuras de Astérix depois da sua morte.
A decisão foi revelada no fim de semana pelas Éditions Albert René, empresa criada por Uderzo
e pela filha de René Goscinny, co-criador de Astérix e seu argumentista, após a morte deste
último, em 1977.
?É óptimo para Astérix?, disse Anne Goscinny à AFP, citada pelo publico.pt lembrando que o
herói é um ?notável sobrevivente? que seguiu o seu caminho após a morte do argumentista.
Isabelle Magnac, directora de Hachette Illustré, comentou por seu lado que ?nada se opunha
contratualmente? à prossecução da série. No entanto, acrescentaria que ?de momento, Astérix
era Albert Uderzo?, o que sugere que nunca seria tomada qualquer decisão quanto ao futuro do
herói gaulês sem a concordância do seu criador e continuador.
A decisão dos dois detentores dos direitos de autor de Astérix põe termo às especulações quanto
ao futuro da série após a aquisição, no final de 2008, de 60 por cento da Albert René (40 por
cento de Uderzo e 20 por cento de Anne Goscinny; os restantes 40 por cento são detidos pela
filha de Uderzo, Sylvie, que se opõe ao negócio) por parte da Hachette, que passou a controlar a
totalidade da vertente editorial de Astérix, assim como os direitos derivados (merchandising)
associados ao personagem, incluindo o segmento audiovisual.
Estas movimentações ocorrem no início de um ano em que se celebrará o 50º aniversário do
herói (surgiu pela primeira vez na revista Pilote a 29 de Outubro de 1959). Está a ser elaborado
um ambicioso programa de comemorações que culminarão no lançamento, em 22 de Outubro,
de mais um álbum de Astérix que reunirá histórias curtas nas quais Uderzo trabalha
actualmente, revelaram as Éditions Albert René.
MAIOR NEGÓCIO DE 2008
A venda da editora ao grupo Hachette, consumada em Dezembro, foi o maior negócio editorial
do ano passado no campo da BD, abrindo perspectivas inteiramente novas para o futuro do
pequeno herói gaulês. De um ponto de vista estritamente económico, o que está em causa é
gigantesco. Desde a criação da série já foram vendidos mais de 325 milhões de álbuns em
todo o mundo. Segundo Livres Hebdo, as Editions Albert René, criadas em 1979 por Uderzo
para gerir as operações ligadas à série, atingiram em 2007 um volume de negócios de 11,3
milhões de euros. A isto há que juntar a exploração do Parque Astérix, em França, que tem
dado sempre lucro. Por fim, são de referir as rentáveis longas-metragens realizadas com actores
reais, cujos níveis de audiência têm batido recordes em França e gerado receitas
consideráveis.
Esta operação não surpreendeu Didier Pasamonik, crítico e chefe de redacção da Agence BD
(agência francesa on-line de informação sobre banda desenhada). A ligação empresarial entre
Uderzo e a Hachette já vem de 1998, recorda. Na sequência de um longo pleito judicial com a
Dargaud para recuperar os direitos de edição e distribuição dos 24 títulos realizados
conjuntamente com Goscinny, Uderzo ganhou o processo.
Contra todas as previsões, entregou a distribuição à Hachette em vez de a reservar para as
Éditions Albert René. A razão, diz Pasamonik, é que ?a filha de Goscinny detinha 20 por cento
desta empresa e a entrega dos títulos (às Editions Albert René) poderia romper os equilíbrios
http://maputo.co.mz/Sociedade/Noticias/Asterix-e-Obelix-n... 1 de 2entre os detentores dos direitos e os accionistas?.
À luz de recentes conflitos com a sua filha única, a quem retirou a gestão da empresa há 18
meses, a decisão de Uderzo vender a editora à Hachette é considerada ?sensata?. Didier
Pasamonik lembra os 81 anos do desenhador e sublinha a inteligência de ?confiar a sua obra a
um operador neutro, mas competente e poderoso, que assegurará uma gestão a longo prazo?.
Possivelmente foi isto mesmo que pesou na decisão do desenhador, embora Anne Goscinny
tenha dito hoje à AFP que ?no início, Albert (Uderzo) estava reticente?, enquanto ela própria
?era favorável?.
EXPLORAR A PERSONAGEM
Mesmo desdramatizando a importância do negócio (?uma banal questão de transmissão de
direitos entre empresas?), Pasamonik defende que ele representa ?o fim de uma época, em que
os pioneiros da banda desenhada controlavam a gestão dos seus direitos patrimoniais?: ?Desde
há vários anos, com o desaparecimento dos seus criadores, a maioria das grandes séries que
fizeram a glória da banda desenhada franco-belga ? Tintin, Blake e Mortimer, Lucky Luke,
Schtroumpfs, Marsupilami, Boule e Bill, Achille Talon e Cubitus ? são animados por outros
talentos que não os seus criadores originais e explorados por grandes grupos editoriais.?
Negócio banal ou não, a verdade é que as consequências no panorama editorial e no próprio
futuro de Astérix podem ser muito profundas.
O crítico Laurent Mélikian (L?Écho des Savanes) não acredita que as coisas mudem muito para
a série. Apesar da idade, Uderzo tem uma ?saúde apreciável? e ?continua a ser o timoneiro a
bordo?. E admite que possam surgir ?novas iniciativas editoriais à imagem do que a Casterman
faz com Tintin ou Corto Maltese?.
Yves Frémion, crítico e divulgador de BD (Fluide Glacial e Papiers Nickelés) disse no final de
Dezembro ao P2 que não acreditava que o desenhador fizesse um novo álbum de Astérix. Por
isso, acrescentava, ?a questão axial é saber se Uderzo e Anne Goscinny aceitaram deixar à
Hachette a ?continuação? da BD por outros desenhadores?.
Frémion lembrava os casos conhecidos de Blake e Mortimer ou dos Pieds Nickelés: ?Esquecese que uma obra, incluindo as personagens, exprime a alma do seu ou seus autores e que sem
eles ela deixa de existir, mesmo se o personagem é sedutor. Hergé compreendeu-o quando
estava vivo e proibiu que Tintin lhe sobrevivesse com outro grafismo.?
Neste quadro, Yves Frémion vaticinava que ?a lógica que vai ser adoptada será fazer entrar
mais dinheiro com as diversas explorações das personagens e não a de gerir, de modo artístico,
a obra de dois artistas importantes?.
Para o grupo editorial Hachette, o futuro parece tudo menos incerto. ?Gerir direitos de autores
que vendem muito depois da sua morte tornou-se um comércio tão sumarento como vender
armas aos ditadores?, comenta Frémion. ?O episódio Hachette-Albert René é o último avatar
dessa conquista de mercados pela empresa de Jean-Luc Lagardère.?
A leitura de Laurent Mélikian vai no mesmo sentido. ?Até há pouco tempo a Hachette quase
não estava presente na edição de banda desenhada, se excluirmos o fundo Astérix. Há alguns
meses comprou a Pika, uma editora especializada em banda desenhada japonesa. Agora
adquiriu as Éditions Albert René. Que outras iniciativas virão a seguir??.
Fonte: Noticias
http://maputo.co.mz/Sociedade/Noticias/Asterix-e-Obelix-n... 2 de 2

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